• Letícia Suher

Criatividade, a habilidade essencialmente humana

Lá em 2018, o Fórum Económico Mundial, em Davos, já dava a dica: criatividade será uma das skills mais importantes para o futuro. Dito e feito. Estamos no turbilhão do mundo V.U.C.A. e pensar em soluções impensadas antes se tornou praticamente inevitável. Se ontem criatividade estava mais conectada ao campo artístico, hoje, ela se expande para saídas inteligentes no cotidiano de pessoas e das empresas. O problema é que, pelo menos até aqui, não fomos realmente estimulados a exercitar a criatividade e a olhá-la como fonte para imaginar outras formas de viver. Mas com o desenrolar da quarta revolução industrial, fomos colocados a muitas provas e somos, todos os dias, convidados a nos reinventar para superar os novos desafios que encontramos pelo caminho. Daí, o fato da criatividade ter conquistado os holofotes quando falamos dos profissionais do futuro: ela já está entre as três principais habilidades mais importantes!


Como por aqui o pensar criativo sustenta nossa atuação, não poderia deixar de preparar um conteúdo sobre como podemos, de muitas formas, desenvolver essa habilidade e compreendê-la além da criatividade como privilégio de poucos. Vamos nessa?


Presente e futuro dos negócios


Antes de tudo, acho importante trazer aqui um panorama! Com a crescente automação do mercado de trabalho, seja pela colaboração entre humanos e máquinas ou pela robotização das funções, são nossas capacidades essencialmente humanas que nos diferenciam e nos tornam mais relevantes, o que, consequentemente, fazem com os negócios também o sejam. Tem um artigo da Deloitte que nos chama atenção exatamente para este ponto:


As capacidades humanas - curiosidade, imaginação, criatividade, empatia e coragem - aplicadas pelos trabalhadores em todos os níveis e departamentos serão a chave para o tipo de diferenciação, relacionamentos e criação de novo valor necessária para navegar essas pressões e sustentar o sucesso.


Como vimos, a criatividade está no pacote das chamadas super competências que, juntas, agem para que nós possamos identificar soluções ainda não visíveis, enxergar cenários com abordagens diferentes das convencionais e ainda nos estimula a desenvolver outras capacidades como sensemaking, pensamento crítico e adaptativo.


Mas, o que é criatividade, de fato?


No dicionário, a gente encontra a definição de criatividade como:

Inventividade, inteligência e talento, natos ou adquiridos, para criar, inventar, inovar, quer no campo artístico, quer no científico, esportivo etc.


Particularmente, gosto bastante da forma como o professor de criatividade e fundador da Keep Learning School, Murilo Gun, aborda essa ideia. Ele apresenta o conceito de combinatividade, ou seja, a capacidade de explorar as infinitas possibilidades de conexões entre as coisas. Criar é combinar algo que já existe para um resultado único.


Mas espera, criatividade é um dom para poucos? É só para artistas?


Ali na definição do dicionário, já vimos que criatividade está no campo artístico, mas extrapola a arte: o pensamento criativo pode - e deve - estar presente seja qual for a área e cargo. Afinal, se tem uma coisa comum aos profissionais é que todos enfrentamos situações que nos pedem soluções rápidas, eficientes e inovadoras.


Infelizmente, em nossa infância e em nosso processo educativo não somos incentivados a afinar a criatividade. Os sistemas de aprendizagem excessivamente rígidos e cartesianos, a repreensão pelo erro e uma mentalidade apegada ao status quo do mundo mecanicista formam barreiras difíceis de serem quebradas por nós quando adultos. Eis a ironia: somos cobrados por ideias incríveis, mas ao longo das nossas vidas, não somos provocados a isso.


Mas a boa notícia é que ainda há tempo e há muitos jeitos de desenvolver o pensamento criativo. Algumas pessoas podem ter mais facilidade para criar alternativas e pensar “fora da caixa”, mas a criatividade da qual falamos pode ser desenvolvida com prática e técnicas, sabia? Está longe de ser um dom. É questão de apurar o olhar, construir repertório para ampliar as chances de conexões diferenciadas, dar as mãos para a imaginação e coragem sem medo de errar. :)


E como exercitar a criatividade?


Esta é a parte mais legal deste texto! Separei aqui alguns caminhos para dar uma ajudinha para você aprimorar a sua criatividade. Tem livro, documentário, técnicas e ainda um curso para criar seu próprio mundo. Curtiu? Então, vem ver!


Livros


Grande Magia, vida criativa sem medo - Elizabeth Gilbert

Roube como um artista - Austin Kleon

O caminho do artista - Julia Cameron

Um “toc” na cuca - Roger Von Oech


Documentários


Abstract - assista ao trailer aqui.

Como o cérebro cria - assista ao trailer aqui.

Minimalism - assista ao trailer aqui.

Explained - assista ao trailer aqui.


Cursos


Reaprendizagem Criativa - Murilo Gun, da Keep Learning School

Imagineering in a Box - um curso gratuito da Disney para você criar seu próprio mundo com exercícios e técnicas muito divertidas!


Ah! Vale reforçar que para ser criativo é preciso alimentar constantemente seu repertório sobre diversos temas - ou seja, ler, assistir, trocar com outros, estar aberto a novas experiências. Acredite, nenhum conhecimento é em vão ;) É essa postura diante da vida que nos permite olhar ao nosso redor com encanto e ver potencial de criar a partir das coisas mais simples e cotidianas. É isso aumenta nossas possibilidades de combinação e, portanto, nossa capacidade de explorar novas perspectivas para nosso trabalho e também nossa vida! E aí, preparado para criar?


Espero ter ajudado, conte aqui o que achou do conteúdo e vamos conversar!


Abraços,

Sr. Jorge!


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