• Letícia Suher

O que podemos aprender com antropologia visual?


Uma imagem vale mais do que mil palavras, dizem. Posso dizer que essa máxima tem espaço confortável com a antropologia visual. A disciplina pode parecer distante do universo das marcas, mas, não se engane: ela tem muito a ensinar quando o assunto é a relação de pessoas com seu mundo material. Afinal, já parou para pensar que objetos e espaços também têm algo a dizer sobre e para nós?


O estudo da antropologia visual se baseia em compreender os símbolos e os significados que as coisas e os lugares têm em nossas vidas. E acredite, não é preciso ir tão longe para explorar tudo isso. A beleza do olhar de antropólogo é se voltar às minúcias, ao cotidiano, ao comum, porque é aí onde moram os mais genuínos dizeres, aqueles que não saem da boca do entrevistado, mas, sim, das escolhas que ele faz para compor sua identidade.


As roupas, a decoração da casa, por exemplo, traduzem muito bem essa ideia. Ao escolhermos o que vamos vestir, desde as cores ao material; ao escolhermos os objetos do nosso quarto, sala, cozinha; ao selecionarmos quais produtos entram no nosso banheiro ou na nossa dispensa: tudo isso mostra uma face de nós e também como nós ansiamos ser vistos. É a projeção que fazemos em tudo que nos cerca.


Quando pensamos em marcas, a antropologia visual tem o poder de nos indicar como as pessoas interpretam, interagem e se interessam pelos produtos que estamos a oferecer. Como elas realmente os utilizam no dia a dia? Qual o peso e o lugar que dão para eles? Representam o que para as pessoas? Talvez esteja aí a resposta mais rica da pesquisa a partir da antropologia visual: quem cria o branding são as pessoas, a marca é que tem a tarefa de absorver. Desconfio que essa inversão pode te soar estranho...Mas, e quando pensamos que estamos na era do customer centric, faz sentido ir a fundo primeiro no que está na vida real? Pois é.


Na pesquisa, buscam-se repetições. Quais comportamentos e relações frequentemente surgem nas entrevistas? Assim, é possível ter, com certa segurança, um caminho a ser trilhado nas análises e, depois, na estratégia. Mas lembre-se de que para encontrar padrões, você precisa estar aberto a isso. Significa não supor hipóteses de antemão e entrevistar pessoas somente para confirmá-las. Significa abrir espaço para que a conversa possa fluir e trazer descobertas que não te passaram pela cabeça. E está tudo bem. Entreviste pessoas, deixe que elas sejam os protagonistas da narrativa. Uma dica fundamental que aprendi ao estudar sobre isso é: faça pedidos. “Quais objetos você pode me mostrar que se relacionam com autocuidado? Com lazer? Com alimentação?” ou “Você pode me mostrar qual objeto representa inovação para você?” São esses simbolismos e conexões a serem analisados que irão render frutos saborosos às marcas.


Ah! E mais uma coisa muito importante é a fotografia. Registe os itens, a pessoa com eles, e incorpore a imagem como peça-chave para compor suas análises, demonstrar os seus argumentos e exemplificar as conclusões do estudo. Com um contato próximo e real com o público do seu produto, com certeza, insights e direcionamentos riquíssimos vão aparecer. E o melhor, vão fazer muito mais sentido quando chegar à comunicação.


Gostou desse texto? Quero saber a sua opinião e a sua experiência!


Um abraço, até a próxima!

Sr. Jorge


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